Doenças infecciosas - fungos e bactérias

Piodermite ou Foliculite Bacteriana

Todos nós que militamos na área de Dermatologia de cães e gatos ficamos por vezes estarrrecidos e enfadados ao ver tantos casos de uma mesma doença: AS PIODERMITES.     Piodermite nada mais é do infecção bacteriana da pele (pio = pus, dermite = inflamação da pele). Podemos também chamá-las de foliculites bacterianas pois, via de regra, estas infecções envolvem os folículos pilosos, que são os locais da pele de onde nascem os pêlos.Existem inúmeras causas para que elas aconteçam, isto porque a bactéria, principal causadora da doença em cães e gatos, é o Staphylococcus spp, que também faz parte da própria microbiota cutânea, isto é, vive na pele normal dos animais saudáveis sem causar nenhum problema. Então, sempre há um fator desencadeante que faz com que se quebre o equilíbrio entre a população bacteriana e o hospedeiro, levando a uma proliferação bacteriana excessiva e sem controle, o que ocasiona as lesões e os sintomas característicos. Este é o principal motivo que torna as piodermites tão freqüentes: o fato de serem manifestações de várias outras doenças.

Embora o nome da doença indique que deve haver a presença de pus, isto não ocorre na maioria das vezes. As lesões se manifestam de múltiplas formas: pápulas (pequenas elevações) avermelhadas recobertas por crostas (vulgarmente seriam “casquinhas”), pequenas bolhas com pus (pústulas), perda de pelame de forma circular recoberta por escamas, úlceras (perda de tecido profunda), erosões (perdas superficiais de tecido).

O diagnóstico pode ser feito através do aspecto das lesões e da citologia do material (análise microscópica). Por vezes se torna também necessária a cultura microbiológica do material obtido das lesões.O mais importante, contudo, não é diagnosticar a piodermie, mas sim identificar suas causas. Para isto o veterinário deve fazer uma investigação detalhada quanto a possíveis alergias, seborréia, sarna negra, desequilíbrios hormonais, presença de pulgas ou de outros parasitas, carências nutricionais, micoses, doenças auto-imunes, etc. Por fim, há casos em que não se descobre a causa, e estes são chamados de idiopáticos. O tratamento consiste no uso de antibióticos por no mínimo 3 semanas, xampus anti-sépticos ou anti-seborréicos e, principalmente, na identifiação e correção das causas de base.

Doenças fúngicas em cães e gatos

As doenças fúngicas em cães e gatos podem acometer a pele, os pelos ou órgãos internos dos animais, dependendo do agente envolvido. As mais corriqueiras na rotina de dermatologia veterinária são dermatofitose e malassezíase.

Dermatofitose

A dermatofitose é uma micose superficial desencadeada pela proliferação de fungos patogênicos (Microsporum spp, Epidermophytum spp, Tricophytum spp) sobre a superfície da pele. Estes fungos são ávidos por queratina, e crescem sobre o pêlo, unhas e sobre a camada córnea da epideme. São transmitidos pelo contato direto com animais infectados, fômites (toalhas, travessiros, cobetores, gaiolas, tapetes, escovas, pentes, etc) ou com o próprio ambiente. Os humanos também são susceptíveis a estes fungos, tratando-se de uma zoonose.  É mais comum em animais jovens, e mais freqüente em gatos do que em cães.

As lesões de pele características são aquelas circulares, alopécicas (sem pelos) e descamativas, por vezes com escurecimento da pele. Podem ser isoladas ou múltiplas. Porém, de todas as dermatopatias com este padrão lesional, a dermatofitose é a menos freqüente.

No meio veterinário é muito comum o “diagnóstico” de dermatofitose erradamente, baseando-se apenas pelo padrão lesional. E como os medicamentos para tratar esta enfermidade também têm importante ação antiinflamatória, a pele acaba melhorando. A única maneira de ter o diagnóstico preciso é através de um exame laboratorial chamado de Cultura Fúngica.

Outro mito: animais com doenças causadas por fungos têm muita coceira. Salvo na malasseziose (doença causada por uma levedura chamada Malassezia pachydermatis) e nos animais das raças Persa e York Shire, a dermatofitose não causa prurido.

Pitirosporose, malassezíase, otomicose.

É uma micose superficial causada pelas leveduras do gênero Malassezia spp. São habitantes normais da pele e dos ouvidos de cães e gatos saudáveis, e só há doença clínica quando estas se multiplicam, em virtude de fatores predisponentes. Tais fatores são doenças alérgicas, seborréia, distúrbios hormonais, deficiências nutricionais, sarnas, imunodeficiências, dentre outros. É a micose mais freqüentemente observada dentre os cães, mas relativamente rara nos gatos.

Os sintomas principais na pele são alopecia, vermelhidão, aumento da espessura, “pele de elefante” (pele mais espessa e escura), oleosidade cutânea excessiva, descamação, e prurido intenso. As lesões aparecem normalmente em regiões ventrais do corpo (cervical, torácica e abdominal), bem como na virilha e axilas. A otomicose, como também é denominada a Malasseziose de dentro dos ouvidos, caracteriza-se pela excessiva deposição de secreção enegrecida de forte odor dentro dos condutos auditivos, acompanhado de vermelhidão e edema, bem como coceira intensa.

O seu diagnóstico é estabelecido por um exame chamado citologia. O tratamento é feito de acordo com o número de leveduras encontradas na lâmina, pelos sintomas clínicos e pela doença de base do paciente.

As doenças fúngicas são dermatopatias relativamente corriqueiras no consultório veterinário. No entanto, o diagnóstico preciso, condutas de higiene e terapêutica personalizada para cada paciente são imprescindíveis para o sucesso no tratamento.